Bibiano Fernandes o cara do ONE FC que falou não ao UFC

Bibiano Fernandes o cara do ONE FC que falou não ao UFC
agosto 03 18:56 2017

Bibiano Fernandes o cara do ONE FC que falou não ao UFC

Sonho de todo lutador de MMA no mundo??? Entrar para o UFC?! Sera? Para Bibiano Fernandes prova ser um lutador diferente da maioria fora dele. Há quatro anos reinando no One Championship, o manauara, que é campeão do peso-galo (até 61kg) no evento asiático, vai para a sua sexta defesa de cinturão neste sábado, quando enfrentará Andrew Leone, em Macau, sem sequer cogitar um futuro no UFC. Aos 37 anos, ele acredita que seus princípios são diferentes demais dos que são seguidos pela companhia americana.

– Eu tenho meus princípios. É ser atleta, dedicado… Sei a direção que quero ir. O UFC só quer vender. É business, não é para você. Você tem uma ilusão de que é, mas não é. Eu entendo os atletas, entendo os caras que têm o monópolio da luta, mas não sei por quanto tempo vai ser assim. O Bellator cresceu, tem outros eventos crescendo também. Esse é meu princípio. Se me perguntar se foi a melhor decisão (ficar no One Championship), com certeza foi. (…) No UFC, para vender luta tem que ter drama. Se não tem drama, não vende luta. Não querem ver a luta boa, nem sabem o que é luta boa mais. Só sabem vender drama, falar que vai matar o cara, falar da mãe do cara. Fala sério, bicho. Eu tenho princípios, respeito, tenho filho – afirmou Bibiano, em entrevista ao Combate.com, com um discurso que foge totalmente do padrão, mas que deixa clara a sua forma de pensar.

Bibiano Fernandes o cara do ONE FC que falou não ao UFC

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Ainda sem considerar encerrar a carreira e “motivado pela vida”, como faz questão de frisar, Bibiano pregou respeito ao seu adversário e garantiu que vai parar de lutar quando sentir que não consegue mais render em alto nível. Não quer passar pela situação de sofrer derrotas seguidas antes de se aposentar do MMA, mas diz que ainda não está perto disso, pois se sente com 27 anos, 10 a menos do que tem.

Companheiro de treinos de Demetrious Johnson, campeão peso-mosca do UFC e que passou por situação polêmica com Dana White, presidente da companhia, que até ameaçou acabar com a divisão até 57kg, Bibiano comentou a situação e saiu em defesa do amigo.

O que deu para estudar sobre seu adversário?

– Ele é um americano, vem do wrestling dos EUA, tem o chão muito bom, é finalizador e explosivo. É um garoto que vem para cima e com certeza quer ser campeão. Falam que é fácil, mas luta é luta. Tem que estar 100% preparado e focado para chegar no dia e fazer sua parte. Eu sou mais completo no MMA. Evoluí minha parte em pé, no chão, evoluí bastante. Acredito que consigo lutar em qualquer área com ele. Ele vai querer me segurar bastante, me cansar, mas o que acontece no vale-tudo é o seguinte: a gente vai conforme a luta for caminhando. Me preparo em todas as partes, mas a luta sempre surpreende. Verei na hora da luta para não ter surpresa.

Ele não fez as últimas lutas como peso-galo. Acha que merecia ser o próximo desafiante?

– Eu sou um atleta. Esse é o meu trabalho, não posso não lutar com ele. Ele é um bom atleta, um cara que é muito conhecido na Ásia e querem colocá-lo comigo. Ele lutou na categoria de cima na última luta, ganhou de um japonês muito duro, então querem testar comigo. Ele é mais novo, mais rápido, acham que eles podem ganhar do Bibiano. Eles pensam assim. “Está chegando, explodindo, é forte, está no nível do Bibiano”. Mas, nesse business, o cara tem que entender que somos funcionários, nosso trabalho é lutar. Não posso recusar esse cara por achar que não merece. Se estão me dando ele, fazer o quê? Tem que lutar. Com certeza eles querem que ele ganhe de mim

Por que acha isso?

– Porque é o business. Sempre é bom o desafio. É um garoto novo, forte, os caras querem sempre me dar novos desafios. Sou bom no que faço, mas é um desafio. Eles querem ver desafios. A Ásia e a América são muito diferentes. Na Ásia, o marketing é diferente. Na América, eles gostam de drama, tem que ter drama para vender. Lá não. Na Ásia gostam de boas lutas, desafios. Os caras lá não vendem drama, gostam de ver boas lutas.

Como vê essa luta terminando?

– Com certeza me vejo finalizando. Seria muito bom, mas luta é luta. Preparo a mente, corpo e técnica para chegar lá e ganhar. Minha parte eu faço. Quero sair vitorioso, sou confiante e acredito que vou ganhar essa luta, pode ter certeza.

Você disse que ele é conhecido na Ásia, e você mesmo é um cara dominante no evento que também se tornou conhecido. Acha que a torcida estará de que lado em Macau?

– Essa pergunta depende do que vai acontecer. Essa parte de Macau foi colonizada por portugueses, tem muitos portugueses naturalizados, é um público muito bom. Se for pensar, provavelmente querem que eu ganhe. Mas vai ter gente que quer que eu perca, tem gente que quer ver o campeão ganhar ou perder. Vamos ver como fica. Por exemplo, o cara ganha muito, aí torcem para perder. Já outros acham que o cara tem que ganhar sempre.

Aos 37 anos e dominando a categoria como você faz no One Championship, o que ainda te motiva a seguir?

– Eu vim do Brasil. Tenho muitas raízes. Como qualquer pessoa do mundo, ralamos para evoluir na vida e aprender coisas novas. Temos que tomar muitas decisões no caminho. Todos têm seus princípios, tenho os meus, isso me motiva a continuar lutando. Quando acho que estou em uma situação ruim, penso no mundo em situação difícil, em evoluir e isso me ajuda. A vida me motiva.

E pensa em lutar por mais quanto tempo?

– Não penso em lutar por mais muito tempo não. Já lutei muito no jiu-jítsu, fui campeão mundial, era difícil e consegui. Fiz a transição para o vale-tudo, é difícil, tive lutas duras, mas não sei (dizer quando vou parar). O dia que acordar e falar que não quero mais, não luto. Já deu, já deu. Não vou esperar para levar nocaute ou me sentir cansado, sem vontade de lutar. Não vou chegar nesse ponto. Quando falar que já deu, é porque já deu.

Acha que esse dia de falar que “já deu” está próximo?

– Me sinto como se estivesse com 27 anos de idade. Sem sacanagem. Se me perguntar sobre cabeça, corpo, situação física, me sinto aos 27 anos. Hoje entendo o MMA, o mundo da luta. Mas tem que entender que fora da luta tem o marketing que manipula tudo. Entendo essa parte toda. Lutadores, mídia… Entendo tudo. Consigo me guiar, me sinto bem, entendo esse ramo. Mas tenho meus filhos, minha vida, lá na frente não posso continuar muito tempo. Mas, se você me perguntar como sinto hoje, é bem pra c***.

Você costuma treinar com o Demetrious Johnson e nesse camp de novo treinou com ele. Como vê essa polêmica dele com o Dana White, que chegou até a ameaçar encerrar o peso-mosca?

– Meu irmão, tem os lutadores e os que controlam o marketing. Os caras manipulam o marketing. Se o cara não fizer o que eles gostam, o que eles querem, a galera toda vai ser manipulada. O DJ está certo na parte dele. O trabalho do Dana White, presidente do UFC, é promover a luta. Esse é o trabalho dele. Mas quando você promove, é só o dinheiro (que importa). Se você não está dando, os caras não estão nem aí para você. Mas o DJ com certeza é um dos melhores pesos-por-peso, duro pra caramba. Na minha opinião, se ele lutasse com o Dillashaw, ele ganharia. Com certeza ganha. Te falo hoje: seria o cara baixar, e o DJ ganhar dele. Amanhã não sei, mas hoje ele ganha do cara. O moleque é um dos melhores.

Você já teve a chance de ir para o UFC e recusou. Quando vê esse tipo de polêmica entre os lutadores e a organização, isso te faz pensar que tomou a decisão certa ao ficar no One?

– Com certeza. Agora há pouco eu falei para você dos princípios da vida. Todos têm. Vai ser a tua escolha. Por exemplo, você não fuma maconha com teus amigos, aí chega outro e fala para você fumar. Você não faz porque você tem os seus princípios. Eu tenho meus princípios. É ser atleta, dedicado… Sei a direção que quero ir. O UFC só quer vender. É business, não é para você. Você tem uma ilusão de que é, mas não é. Eu entendo os atletas, entendo os caras que têm o monópolio da luta, mas não sei por quanto tempo vai ser assim. O Bellator cresceu, tem outros eventos crescendo também. Esse é meu princípio. Se me perguntar se foi a melhor decisão (ficar no One), com certeza foi. Não quero passar por isso. Sou um dos melhores lutadores hoje. Os caras já me ofereceram para lutar lá. Eu já tinha sido campeão do Dream, e os caras vieram falando: “Vem aqui para ajudar a crescer a categoria”. Perguntei quanto ia ganhar e, se eu te falar quanto eles ofereceram, não dava nem para pagar as contas do mês. Falar o valor nem vale a pena. Tomei a decisão certa de ficar no One. No UFC, para vender luta tem que ter drama. Se não tem drama, não vende luta. Não querem ver a luta boa, nem sabem o que é luta boa mais. Só sabem vender drama, falar que vai matar o cara, falar da mãe do cara. Fala sério, bicho. Eu tenho princípios, respeito, tenho filho. É fo**. Aí os caras lutam lá, usam cocaína, usam maconha… Se você fizer isso na Ásia, você está é f***. É princípio.

O que acha que teria que mudar nesse tipo de promoção de luta que o UFC faz?

– Veja o caso do Jacaré. O que fizeram com ele? Cozinharam o garoto porque o Jacaré não vende drama. Mas ele vende superação na vida. Isso ele vende. Essa que é a parada. Pega o que ele passou e onde está hoje. Isso é superação. É melhor do que saber vender. Porque o drama vai cansar uma hora. A galera vai cansar. Um dia o pessoal vai se tocar. Você quer que seu filho seja exemplo, esforçado, correu atrás, evoluiu, cresceu, mas eles não vendem assim. Não quiseram promover o Jacaré assim, quiseram vender drama. Tem que ser o cara que fala pra c***. É só dinheiro, dinheiro, dinheiro. É bom, mas não é tudo. Não compra teu caráter. Você é quem você é. O Jacaré já era para ter lutado pelo título. Aí o cara entra desmotivado, perde a vontade de lutar porque ficou ali, toda hora tem que enfrentar mais um. Eu sou motivado. A vida me motiva a continuar lutando. Situações ruins que os caras reclamam, me motivam mais ainda a continuar. Vamos seguir adiante. O mundo hoje só quer vender drama. Tem q vender coração também, superação, o Jacaré, que saiu de baixo, venceu, chegou lá em cima. As pessoas querem falar que vão matar, fo** a mãe do outro, mas os atletas são os atletas. Já viu os japoneses lutando? Os caras mais leves, que na Ásia tem muitos? Eles vão até a morte.

Quer acrescentar alguma coisa?

– Às vezes falam que lutador não sabe falar, mas eu estudo, não sou só atleta. Estudei marketing no Canadá, fui para a escola aqui, aprendi, tenho filho. Por isso falo que a vida me motiva. Quando eu quiser parar com isso, eu paro. Vou fazer outra coisa da minha vida, posso ser professor, ir para o business, fazer outra coisa. Outro dia me ligaram do Brasil pedindo ajuda de passagem, uma menina queria para disputar o Brasileiro de jiu-jítsu em São Paulo. Quando me ligou, pensei em mim. Eu viajava de Manaus para o Rio de Janeiro para ir lutar. Só tinha a passagem de ida. Fui lutando, me superando, venci meus demônios, trabalhando a minha mente e meu corpo. Quando ela me ligou, eu disse que com certeza ajudo. Comprei a passagem e mandei para o pai dela para ela ir lutar o evento. Sei do sofrimento, vim de lá, mas a oportunidade tem que ser dada para evoluir. Vai ser a escolha dela. Eu ajudo. A pessoa tem que saber a direção que quer ir.

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